Argentina Patagônia

A Patagônia dos nossos sonhos. E para o nosso bolso.

Em Janeiro desse ano realizamos um sonho: conhecer a Patagônia. Ou melhor, um pedacinho dela, a Patagônia argentina. Para viajantes com baixo orçamento, assim como nós, esse não é um sonho dos mais baratos e fáceis de se realizar. Seja pelas distâncias continentais da região, ou pelos preços altíssimos de absolutamente TUDO. Vale lembrar: o verão é alta temporada para eles, então é hora de faturar com o turismo. Somado a isso, bote na conta um Real desvalorizado e a Argentina em plena mudança de governo, com a inflação nas alturas.

Mas, como bons brasileiros que somos, não queríamos desistir desse sonho. Nos organizamos, pesquisamos um pouco e decidimos quais seriam os dois destinos que poderíamos visitar: El Calafate e El Chaltén. Sobrevivemos para contar como foi essa experiência marcante na nossa viagem e para ajudar vocês a planejar também uma visitinha à terra dos glaciares, gastando o menos possível. Vamos contar tudo sobre a nossa experiência em El Calafate. Quais foram os principais passeios, o que dá para fazer (quase) de graça e com o que você pode economizar por lá.

Vamos direto ao assunto: o Glaciar Perito Moreno

El Calafate, essa pequena cidadezinha na província de Santa Cruz, é uma das mais visitadas em toda Patagônia por um motivo muito justo: é lá que está o famoso, maravilhoso, majestoso, glaciar Perito Moreno. E ir para a Patagônia sem visitar o glaciar é quase tão grave quanto ir para o Egito e não ver as pirâmides. Por isso, no primeiro dia que chegamos à cidade, já estávamos ansiosos para planejar o passeio ao Parque Nacional los Glaciares, onde está o Perito – a 80 km do centro. Em El Calafate, os principais passeios são pagos, o que significa que você não pode simplesmente botar a mochila nas costas e sair entrando no Parque para fazer um trekking, por exemplo.

 – ASSISTA AO VÍDEO: “Patagônia parte 1: El Calafate, glaciar Perito Moreno e passeios (quase) de graça.” –

Para visitar o glaciar, a entrada custa 260 pesos argentinos (em torno de R$90) e para chegar até lá você tem algumas opções: comprar um tour com alguma agência saindo do centro, que custará em torno de 600 pesos – R$200; comprar uma passagem de ida e volta em ônibus de linha saindo da terminal, porém o preço da passagem somado ao valor da entrada no parque acaba muito semelhante ao valor que as agências cobram pelo tour; tentar “hacer dedo”, ou seja, procurar carona na estrada; ou dividir o aluguel de um carro, como nós fizemos. O aluguel sai 1.000 pesos por dia e, se você dividir com mais 3 ou 4 pessoas, acaba valendo à pena. Amamos essa opção não apenas por ser mais econômica, mas também por nos dar mais liberdade para curtir o caminho (que é lindo) e ter todo o tempo do mundo para ficar lá nas passarelas admirando o glaciar.

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Das passarelas, dá para ver o glaciar pertinho assim

 

A gente recomenda que você saia de manhã e leve na mochila água, protetor solar, casaco e um lanchinho. Você vai querer ficar muitas horas por lá, vai por mim, e a única opção de alimentação é um restaurante turístico que fica nas passarelas. Também é possível comprar um passeio de barco para chegar ainda mais perto do glaciar ou até um minitrekking para caminhar sob o gelo. Não conseguimos fazer nenhum desses dois passeios, mas não nos arrependemos de ter ficado só olhando. O glaciar dá um show independente do ângulo de onde você observa.

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Eu e o Lucas de queixo caído

 

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Cara de quem está realizando um sonho

 

Diferente de outros glaciais da região, que estão em processo de extinção, dizem que o Perito Moreno cresce cerca de 100 metros por ano, o que provoca rompimentos na extremidade de onde o glaciar é visível pelos turistas. Sim, esse é um dos shows da natureza que você assiste por lá: pedaços enormes de gelo se descolando e desmoronando bem na sua frente.

Fizemos todo o passeio em torno de 6 horas. E valeu cada minuto e cada centavo.

Mas, El Calafate também tem atrações (quase) de graça

Depois de aliviada a ansiedade para ver o glaciar, passamos mais uns 3 dias na cidade. E esse é o tempo que nós recomendamos para curtir bem o restante dos atrativos, entre 2 e 3 dias. Fomos atrás de conhecer moradores locais, o que não é uma tarefa muito fácil por lá, já que você só vê turistas caminhando pela cidade, até que encontramos o “embaixador” do Couchsurfing em El Calafate. Ele se tornou um grande amigo e nos levou para conhecer outras opções de passeios, como a trilha do Cerro Cristal e o Lago Roca, um lugar onde os locais gostam de ir para fazer piquenique e tomar um mate nos finais de semana.

Vista do Cerro Cristal para o Lago Roca

Vista do Cerro Cristal para o Lago Roca

 

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Nas margens do Lago Roca

 

O Lago está a 50km do centro e duas vezes por semana saem ônibus de linha que fazem o trajeto partindo da terminal. A nossa dica é que você vá com uma turma, com carro alugado, ou tente uma carona para baratear ainda mais o passeio. As passagens não são muito acessíveis e você pode perder o passeio em função da periodicidade dos ônibus.

Pôr do sol no Lago Argentino

El Calafate está às margens de outro lago lindo, o Lago Argentino. Reserve uma manhã ou uma tarde para curtir a orla, onde o pessoal da cidade vai para praticar exercícios e até se banhar (no verão, claro). Pensou em curtir um pôr do sol por lá? Foi exatamente o que a gente fez. Mas, não espere que o sol vá se pôr antes das 22h30, aproximadamente. Os dias no verão da Patagônia são looongos.

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Fim de tarde – às 22h – no Lago Argentino

 

A orla está a 15 minutos de caminhada saindo da rua principal do centro e, no caminho, você também pode encontrar outras atrações, como um observatório de aves (Reserva Laguna Nimez) e um Museu de interpretação que conta toda a história da região. Ambos com entradas bem acessíveis e até uns mates de graça. 😉

O Luís, dono do museu, nos deu uma entrevista e falou sobre a necessidade de romper com esse mito de que a Patagônia é um destino só para ricos. Hoje, você pode se hospedar em hostel barato, cozinhar a sua própria comida, sem a necessidade de pagar 500 pesos para comer cordeiro Patagônico em um restaurante, ir de ônibus de uma cidade para outra e curtir muitos passeios sem ter que pagar a uma agência ou a um guia.

Como chegar em El Calafate

Saindo de Buenos Aires você tem a opção de ir diretamente a El Calafate em avião ou em ônibus. Surpreendentemente, as passagens de avião acabam saindo pelo mesmo preço, ou até mais baratas, do que as passagens de ônibus – que levam quase 40 horas para fazer o trajeto.  Nós conseguimos um voo pela Aerolíneas Argentinas saindo de Buenos Aires e desembarcando em Rio Gallegos, que está a 300 km de El Calafate. O voo saiu o mesmo preço que uma passagem de ônibus, em torno de R$600 ida e volta. Chegando em Rio Gallegos, tomamos um ônibus até El Calafate e levamos mais 3 horas para chegar. As principais empresas que operam na região são Taqsa Marga, El Pinguino e Andesmar.

Onde ficar em El Calafate

A cidade tem opções para todos os bolsos: milhares de hostels, hotéis luxuosos, estâncias, campings e até uma galera de Couchsurfing. Se você visitar a Patagônia em alta temporada, tenha em mente que vai ter que se programar com uma certa antecedência em relação à hospedagem. Nós ficamos no hostel Punta Norte, que era um dos mais baratos da cidade (150 pesos por pessoa em quarto compartilhado) e, apesar de não termos amado, tinha espaço para cozinhar e uma área comum bacaninha. O importante em El Calafate é ter uma boa cama para dormir à noite, sem muitos luxos. Afinal, você vai passar a maior parte do tempo curtindo as atividades ao ar livre durante o dia.

Ficou com alguma dúvida ou tem alguma sugestão? Deixe seu comentário ou entre em contato com a gente pelo e-mail contato@mundoavolta.com.

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4 Comentários

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    Talita Cortez Neto
    17 de setembro de 2016 em 22:50

    Oi, que legal o relato de vocês, também amei o vídeo.
    Estou sonhando com a Patagônia não é de hoje e realmente venho deixando o destino pra depois por conta do alto custo…
    Mas ultimamente me empenhado em buscar formas alternativas (mais baratas kkkk) de explorar a região.
    Vocês sabem o valor médio que gastaram por dia na Patagônia? Se pudessem me passar, eu agradeceria. 🙂
    Beijos.
    Talita

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      Gabi Nascimento
      19 de setembro de 2016 em 10:15

      Oi, Talita! Que bom que você gostou do post 🙂 Então, é difícil dizer um valor diário, vai depender muito do tipo de hospedagem que você escolher (hostel, hotel ou até mesmo couchsurfing), se você vai cozinhar ou comer nos restaurantes (caros) e se vai comprar todos os passeios. Uma noite em quarto compartilhado dificilmente vai sair menos do que 150 pesos argentinos (em torno de 50 reais). Os passeios não são menos do que 1000 pesos, em média, e se você dividir um carro alugado com amigos consegue economizar um pouco desse valor em alguns passeios. A dica pra não cair na tentação dos restaurantes é cozinhar no hostel mesmo 🙂 Imagino que o gasto diário, em média, seja de uns R$ 200. Espero ter ajudado e fica à vontade se tiver mais alguma dúvida. Beijos! Gabi

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    FERNANDO VELTER MARQUES
    8 de novembro de 2016 em 12:29

    Ola gostei muito do video e do texto, estamos planejando ir agora dia 21/12/2016 saindo de Terra Roxa PR entrando por foz indo até Bariloche e de la descendo conhecendo até chegar no Ushuaia, vai ser alta temporada não reservamos nenhuma hospedagem mas vamos levar a barraca e fogareiro e praticamente dinheiro apenas para o combustivel e campings que não passem de 25 reais por pessoa. Esperamos nos dar bem e não passar muitaaaa fome, mesmo porque miojo até que enche a barriga. Obrigado pelas dicas… @velterpelomundo

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      Gabi Nascimento
      13 de dezembro de 2016 em 19:05

      Oi, Velter! Que demais, adorei a “pilha” como falamos aqui no sul. Vai dar tudo certo, baita aventura. Depois nos conta como foi 🙂 Abraços, Gabi

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