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40 expressões para aprender antes de viajar à Argentina

Depois do post sobre as 30 expressões típicas do Chile, pegamos gosto pela ideia dos miniglossários populares. Agora, é a vez de ajudar quem está com viagem marcada para a Argentina e quer se familiarizar com o jeito de falar no país dos boludos, do che e da buena onda. Montamos essa lista depois de passar quatro meses viajando do norte ao sul do país, colecionando amigos que falam com as mais variadas gírias e sotaques: cordobeses, nortenhos, portenhos e até “patagones”.

A Argentina é um país enorme e diverso e, apesar de a maioria dos brasileiros viajar apenas para Buenos Aires e Patagônia, há muito mais para conhecer em todo o país. Tentamos trazer um pouco de toda essa diversidade nesse miniglossário e esperamos que você comece desde já a curtir a ideia de visitar os nossos hermanos, ¿dale?

expressoes-tipicas-argentinas

 

¡Listo! (Pronto). Vamos lá:

A full = Com tudo, ao extremo, muito de qualquer coisa. Se usa em muitas situações, inclusive para dizer “ok” com bastante entusiasmo. Quando algum argentino diz que está a full, pode significar também que está muito ocupado, sem tempo para nada, com muito trabalho.

Al pedo = Jeito informal de dizer que está sem nada pra fazer, entediado, o contrário de “a full”.

Bajón = Quando alguma coisa ou alguém tem uma vibe ruim, um argentino diria ¡uuuh, que bajón!. Bajón é a expressão para algo deprê, triste ou que não deu certo.

Boludo(a) = É o “weon” do Chile, o cara do Brasil, o “bro” dos EUA. É tão usado para se referir a qualquer pessoa, que acabou virando verbo e adjetivo. “Boludear” é fazer qualquer coisa com alguém. Ficar entre amigos sem fazer nada, por exemplo. Em algumas situações, pode ser uma “tontería”, quando alguém faz alguma besteira. Daí é uma “boludez”. Se “boludo” for dito no meio de uma discussão, vira sinônimo de “idiota” e ganha uma conotação negativa. Essa expressão você vai ouvir mais portenhos (de Buenos Aires) falando.

Buena onda = É o oposto de “bajón”. Tudo que tiver uma boa energia pode ser considerado buena onda, como uma lugar ou uma pessoa, por exemplo.

Capo = Uma pessoa inteligente, competente, hábil, perspicaz. Ser “un capo” é ser o melhor, o cara!

Chabón = Também pode ser só “el chavo” e é um sinônimo para muchacho, chico. Antigamente, se usava para definir uma pessoa boba, que está sempre incomodando. Hoje em dia, quando um argentino está contando uma história e se refere a alguém que não conhece, não lembra do nome ou de quem não gosta, usa el chabón.

“Quer ouvir o sotaque de Buenos Aires? ASSISTA AO VÍDEO sobre a cena cultural portenha.”

Che = Essa é fácil. É como se fosse o tchê dos gaúchos (mas, bem mais usado) e muitas vezes vem seguido por boludo. “¿Che, boludo, vamos a tomar un fernet?”.

Cheto(a) = Um playboy ou uma patricinha. Pessoa com muito dinheiro ou que se importa com elegância e status. Um lugar, como um bairro ou um restaurante, também pode ser considerado cheto.

Chupar = Argentino não bebe muito. Chupa! Para eles e vários outros povos da América do Sul, esse verbo é usado no contexto de tomar álcool.

Chorear = Roubar, furtar. Assim como no Chile, um chorro é um ladrão.

Colectivo = Argentino não pega um ônibus de linha. Toma “el cole”, como é carinhosamente chamado o colectivo.

Copado = Uma pessoa ou coisa copada é buena onda, muito legal, bacana, de alta qualidade. Essa expressão você vai ouvir mais na região de Buenos Aires.

De una = Um afirmativo semelhante ao nosso “pode crer”. Tipo, quando uma pessoa diz que o feriado foi ensolarado, a outra responde “de una”. Também pode qualificar algo como bom, de primeira qualidade.

De diez = É um “de una” vezes 10. Quando algo ou alguém é “de diez” é o melhor, excelente, merece 10 pontos.

En pedo = Argentino não fica bêbado (ou borracho), fica “en pedo”. Já, para negar um convite ou dizer que não fará algo nem f*udendo, provavelmente irá dizer: ¡NI EN PEDO!

Factura = Não, não é a fatura que você está pensando. Factura é o jeito como os argentinos se referem a uma espécie de “medialuna“, como se fosse um croissant argentino. No café da manhã do hostel, no hotel ou na hora do cafezinho, é normal que te ofereçam “unas facturas”. Pode ficar tranquilo que não está na hora de pagar a conta.

Flaco(a) = A palavra significa “magro(a)”. Mas, quando algum argentino se refere a alguém como “el flaco”, provavelmente está querendo dizer rapaz, garoto, homem. Também pode ser usado no feminino. É uma forma coloquial de se referir a uma pessoa sem mencionar seu nome. Normalmente soa melhor que “el chavón”.

Guita = É a nossa gíria para dinheiro, “grana”. Do jeito que anda a inflação por lá, está difícil ter mucha guita ultimamente.

Hincha pelotas = Uma pessoa muito chata, que enche o saco, que “te agota”, “te rompe la paciencia”.

LucaLuca é uma expressão que substitui “mil pesos”. Algo pode custar “2 luca”, ou seja, 2 mil pesos. Essa expressão também é usada no Chile.

Mango = É outra gíria para se referir a dinheiro, porém, é mais usada quando uma pessoa não tem um tostão no bolso. “No tengo un mango”.

Me da bronca = Me incomoda, “me molesta”, “me incha las pelotas”.

Me mataste = Quem já pediu informação na rua para um argentino já deve ter escutado essa. Quando eles não têm a menor ideia da localização que você pediu, é bem provável que digam: ¡uuuh me mataste!“. Só dizer “não sei” não seria dramático o suficiente para um argentino.

Nena = É um jeito meigo de se referir a uma mulher, podendo ela ser jovem ou não (mas em geral é).

No más = Essa expressão é muito usada no final das frases, principalmente no norte argentino, querendo dizer “não mais que isso”, “não muito além disso”. Nas províncias de Salta e Jujuy, é muito comum as pessoas dizerem “ahí no más” ou “aisito no más”, querendo dizer que um lugar ou algo fica bem ali pertinho. Quando você pergunta o preço de algo, um norteño pode responder “100 pesos no más”. Além do norte argentino, essa expressão também é bastante usada no Chile e na Bolívia, por exemplo.

“Ficou curioso para ouvir o sotaque do norte argentino?

ASSISTA AO VÍDEO SOBRE A QUEBRADA DE HUMAHUACA.”

¡Ojo! = Para dizer “fique de olho”, os argentinos dizem só “ojo”. Significa cuidado, atenção. Você também irá ouvir essa expressão em outros países, como o Uruguai, por exemplo.

Pelotudo = O “boludo” que não é tão legal assim, que pisou na bola, que é um pé no saco, um “hincha pelotas”. Essa expressão é bastante usada pelos portenhos, que usam também de forma “carinhosa” para se referir aos amigos.

Pibe = Moleque, guri. Você também vai ouvir muito “pibe” se for ao Uruguai.

Piola = Algo ou alguém bacana, legal, cool. Já no Chile, essa expressão é usada para se referir a algo ou alguém tranquilo, “de boa”.

Pucho = Argentino não fuma um cigarro, fuma “un pucho”.

¿Qué onda? = Um jeito informal de perguntar o que alguém anda fazendo.

Quilombo = Expressão para caos, desordem. Também pode ser usada quando uma pessoa está muito estressada, com problemas, “está con quilombo”.

Re = É como o “tri” dos gaúchos, digamos assim. O “re” vem à frente da palavra para significar muito de algo: re contento, re bueno, re piola, re copado.

Re contra = Quando uma coisa é “re contra” algo, ela é mais do que só “muito”, é muuuuito. Por exemplo, um bar pode ser underground, mas se ele for muuuuito under, ele é “re contra under”. Essa expressão é usada, principalmente, em Buenos Aires.

Subte = Argentino não pega o metrô, “toma el subte”.

Tarado = É uma pessoa imbecil, idiota. Nada a ver com conotação sexual, só estupidez em geral mesmo.

Under = Algo alternativo, lado b, underground. Muito usada para descrever lugares da cena cultural de Buenos Aires.

Vos = Argentino, em geral, não fala “tú”. Fala “vos”. É tão natural que até a publicidade já adaptou a sua linguagem para o vos. Argentino não vai “contigo”, vai “con vos”. Argentino não diz “eres bueno”, diz “sos bueno”. Se você entende um pouco de espanhol, mas só sabe falar usando “tú”, não tem problema. Eles vão entender mesmo assim. E essa também é a forma como outros países da América Latina, como o Uruguai, se referem à segunda pessoa do singular.

Zarpado = É como dizer “da hora”, maneiro, massa.

Gostou? Então deixe seu comentário e compartilhe esse post com aquele amigo(a) que está com viagem programada para a Argentina.

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8 Comentários

  • Comentar
    Vera
    1 de agosto de 2016 em 06:05

    Maravilha! Adorei conhecer vocês e me diverti muito lendo as expressões dos nossos hermanos. Valeu seus lindos!!

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    Josiane Bravo
    20 de agosto de 2016 em 16:05

    Adorei as dicas 🙂 Fiquei 1 mês em Buenos Aires estudando Espanhol e confesso que muitas das expressões que vocês mencionaram aqui no post eu desconhecia. E o uso do “vos” acabou me confundindo a cabeça haha, pensei que estudar espanhol seria mais fácil, mas o portenos falam muito rápido e cheio de gírias. “Dale” e “buena onda” era o que mais ouvia haha.

    Abraços

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      Mundo à Volta
      22 de agosto de 2016 em 17:33

      Oi, Josiane! Deve ter sido muito legal estudar lá por 1 mês, imagino quantas vivências únicas você teve nesse período. Isso fica pra sempre! Muito legal também saber que o post te trouxe alguns termos novos. Vai que você volta pra lá ainda mais afiada no “portenhês” hehehe 🙂 Beijos, Gabi

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    Jéssica
    3 de março de 2017 em 23:11

    Olá. Gostei bastante desse mini glossário, muitas expressões realmente eu não conhecia. Mas eu não consegui entender claramente algumas expressões, como o “Che”. Vc falou q é como se fosse o “tchê” dos gaúchos, mas eu não sou gaúcha e não estou familiarizada com o termo, então acho q seria uma boa falar de um jeito mais simples, q todos possam entender. Também seria legal se vc colocasse frases como exemplo para cada expressão, assim poderemos compreender com maior clareza os termos e memorizá-los. # Fica a Dica.

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      Gabi Nascimento
      16 de março de 2017 em 17:26

      Oi, Jéssica! Tentamos fazer isso na medida do possível, sem deixar o post longo ou cansativo. Mas, super válidas as suas dicas, muito obrigada! Abs, Gabi 🙂

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    Bruna Soares
    16 de março de 2017 em 07:57

    Vocês resumiram muito bem as expressões! Morei lá uns meses e quando li esse post, dei várias risadas relembrando como cada um dos meus amigos falavam e acabei aprendendo. Uma das minhas maiores saudades é a língua e o sotaque, especialmente dos cordobeses. Parabéns pelos posts sobre Córdoba, re bueno che!

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      Gabi Nascimento
      16 de março de 2017 em 17:28

      Bruna, o sotaque dos cordobeses é inconfundível e dá saudade mesmo! Temos dois vídeos no canal sobre Córdoba, se você não viu, dá uma olhadinha. Acho que vai gostar 🙂 Abraços e muito obrigada! Gabi

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