Blog

Turismo local: como fortalecer as culturas que você conhecer

Prepare-se para um dado alarmante: apenas 5% do dinheiro gasto por turistas em países subdesenvolvidos beneficiam as economias locais*. Isso significa que a maioria esmagadora dessas pessoas viaja para conhecer um lugar diferente, mas acaba gastando seu tão suado dinheirinho em marcas que poderiam ser encontradas, inclusive, na sua própria cidade. Hotéis, restaurantes, roupas e muitas outras compras que acabam enriquecendo empresas de fora, mas poderiam estar alimentando pessoas e culturas locais que precisam de cada centavo dessa grana.

Digo pessoas, porque atrás do balcão de cada tendinha de souvenir existe um ser humano. E digo culturas, porque é esse mesmo ser humano que investe todas as suas economias em um novo tambor de Candombe ou na fantasia que vai usar no carnaval. Afinal, toda a cultura depende do seu povo para se manter viva. Do jeito que as coisas andam, daqui a pouco você vai chegar em uma casa de tango e o palco vai estar vazio, porque o casal de portenhos não teve dinheiro para pegar o ônibus até San Telmo. E a única pessoa que pode combater a pobreza cultural é você, turista. Tudo depende das suas escolhas. Se você pensa localmente na hora de escolher um restaurante, ou simplesmente ignora o comércio local e entra no primeiro McDonald’s que aparece quando bate aquela fome.

Esse dado alarmante vale para os países em desenvolvimento. Em outras palavras, países que muita gente sonha em conhecer pela sua riqueza cultural. Vou citar algumas nações que fazem parte dessa lista: Índia, Egito, Tailândia, Camboja, Indonésia, México, Peru, Turquia, Nepal, África do Sul e por aí vai. Até a China é considerada um país em desenvolvimento. Isso sem falar em todo oriente médio, que tenta preservar os sítios arqueológicos mais importantes da civilização humana em meio à falta de dinheiro e, pior, a jihadistas que adoram jogar bombas em construções sagradas. Por falar em religião, grande parte delas nasceu em países subdesenvolvidos.

Doni, guia de turismo comunitário em Iruya, Salta - ArgentinaDoni, guia de turismo comunitário em Iruya, Salta - Argentina

Doni, guia de turismo comunitário em Iruya, Salta – Argentina

 

Enfim, é muita gente precisando da sua ajuda. Muitas culturas dependendo das suas escolhas. Se você quer fortalecer a riqueza cultural do mundo, aí vão algumas atitudes que você pode adotar nas suas viagens:

– Coma em restaurantes típicos. Daqueles que existem há décadas e representam a alma e a memória de cada cidade.

– Hospede-se em hostels e hotéis de quem é da região. Além de fomentar a economia local, é nesses lugares que você vai se sentir em casa, mesmo estando em Nagarkot.

Compre souvenirs fabricados localmente. Incentive o artesão que produz cada roupa e objeto por puro amor a sua cultura. Aproveite e tire uma selfie com ele para divulgar os seus produtos.

– Apoie quem apoia o turismo sustentável: se for contratar alguma agência local, pesquise sobre as suas políticas de responsabilidade e sustentabilidade no turismo.

– Antes da sua próxima viagem, pesquisa agências de turismo social e comunitário que oferecem experiências por lá. Nós conhecemos e recomendamos duas: a Travolution.org, que atua em diversos países da América do Sul; e a Visit.org, que atua no mundo inteiro – e de quem nós somos embaixadores.

– Converse com os locais, tente aprender o seu idioma. Mostre respeito pela cultura deles. Esse tipo de incentivo vale mais que dinheiro.

– Dê algo em troca. Já que você está conhecendo um mundo novo, retribua esse aprendizado ensinando palavras em português, falando um pouco sobre a cidade que você mora.

Somos mais de 1 bilhão de turistas, que representam 8% do PIB do planeta. Se esse dinheiro for para o bolso certo, nós temos tudo para erradicar a pobreza cultural mundial.

Gostou desse post? Você também vai gostar de “TURISMO COMUNITÁRIO: O MELHOR JEITO DE CONHECER VALPARAÍSO.”

 

*Dado publicado pela United Nations Environment Programme.

Você Também Vai Gostar

Nenhum Comentário

Deixe um Comentário