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8 passos do nosso planejamento pré vida nômade

Em março desse ano, fomos convidados a dar uma palestra no primeiro congresso sobre nomadismo digital do Brasil, o Congresso Nômade. Tendo em vista que estávamos (na verdade, ainda estamos) muito no comecinho da nossa empreitada como nômades digitais, ficamos bastante surpresos e empolgados com o convite. No mesmo minuto já começamos a pensar no tema da nossa palestra, com uma vontade gigante de ajudar outros aprendizes desse novo estilo de vida. Pensamos que, se em apenas poucos meses de produção de conteúdo, já chamamos alguma atenção na internet, é porque algo de bom estávamos fazendo. E o que disso poderia servir para outras pessoas? PÁ! O planejamento.

Foi mais de um ano e meio economizando e botando no papel quais seriam os nossos primeiros passos nessa vida de viajar e trabalhar ao mesmo tempo. O que e quanto precisávamos para sair? Quem seríamos nós nesse mundo super populoso de conteúdos de internet? O que tínhamos de forças e o que ainda nos faltava?

A palestra aconteceu no último dia 7 de abril e agora está disponível somente para quem adquirir o Acesso Ouro a todo o material do congresso. O retorno e a interação do pessoal que assistiu ao vivo foram tão positivos, que decidimos separar aqui um dos tópicos mais legais que falamos por lá: os 8 passos principais do nosso planejamento inicial. Esperamos que o post ajude muito a todos vocês que também se perguntam “por onde eu começo?”.

Obs.: nós decidimos deixar os nossos empregos e começar um projeto do zero, então essas dicas podem se encaixar mais para quem também vai se aventurar em um empreendimento totalmente novo. Porém, muitos toques também podem ser úteis para você que é freelancer ou está bolando a sua transição para a vida nômade.

Passo 1: O que falta no mercado e qual vai ser o nosso nicho

Somos dois apaixonados por viagem e por tudo relacionado a esse universo, então não foi muito difícil decidir que produziríamos conteúdo dentro desse tema. Porém, precisávamos conhecer os principais “players” desse mercado e encontrar uma forma de fazer algo diferente. Depois de algumas pesquisas, percebemos que ainda havia muito pouco material em vídeo sobre destinos de viagem e que a maioria do conteúdo online sobre turismo apresentava os lugares sempre por um ponto de vista muito individual. O viajante falando sobre a sua experiência. Não vemos nada de errado nisso, mas queríamos trazer algo mais próximo de quem vive em cada lugar. Foi aí que decidimos que o nosso foco seria a produção de vídeos tendo como diferencial a participação de moradores locais de cada cidade por onde passamos. Nos orgulhamos muito dessa posição até hoje e seguimos buscando aprimorar esse formato que pensamos lá no início, mesmo sabendo que ainda temos muito a melhorar.

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Nós dois durante uma entrevista em Valparaíso, Chile

Passo 2: Listar os nossos gastos e quanto precisávamos economizar

Essa é aquela hora de dar um eject da sua zona de conforto, olhar para o estilo de vida que está levando e concluir: “caramba, tem um monte de coisas aqui que eu não preciso”. E que bom, né?! Quando você começa a cortar supérfluos, acaba chegando em um valor fixo mensal que é necessário para que você se mantenha. Gastos com estadia, alimentação, transporte e algo de saúde e lazer. Nós chegamos a um custo médio de R$3mil cada um, por mês.

Se você vai investir na mudança de vida sem ter ainda uma nova fonte de receita, como foi o nosso caso (já que decidimos que iríamos pedir demissão), é importante que você se planeje para ter como cobrir esses gastos mensais durante todo o período em que não entrará nada de grana. Nós nos planejamos para ter dinheiro para nos manter por um ano, o tempo que estimamos que a nossa futura empreitada – que veio a ser a produtora itinerante – não começasse a ser rentável.

Sabendo que precisávamos de, aproximadamente, R$3mil por mês para nos mantermos por um ano, chegamos a um valor de poupança necessário (ou seja, 3mil multiplicado por 12 meses). Nessa conta, colocamos também todos os gastos que teríamos para comprar os equipamentos para produzir os vídeos, gastos com passagens para os primeiros destinos, seguros de viagem, IOF’s e outras despesas relacionadas à viagem. A partir daí, nos demos conta que um ano e meio seria necessário pra juntar toda essa grana. Seguimos nos nossos empregos até que tivéssemos economizado o suficiente para poder pedir demissão.

Ter uma meta financeira funcionou para nós, mas é importante dizer aqui que tudo vai depender do seu estilo de viagem e da vida que você almeja ter. Se você pretende ganhar dinheiro na estrada fazendo trabalhos como freela pela internet, por exemplo, já comece alguns meses antes a buscar clientes e você precisará economizar por muito menos tempo que nós. Se esse é o seu caso, recomendamos que você pegue umas dicas do pessoal do Na Palma do Mundo.

Passo 3: listar ferramentas e softwares que precisávamos dominar

Começamos absolutamente do zero, em tudo. Nenhum dos dois nunca havia filmado ou tirado fotos de forma profissional. Nunca tivemos blog e só escrevíamos de vez em quando, por prazer mesmo. Fizemos cursos de produção de vídeos e fotos e assistimos a incontáveis tutoriais do YouTube (é nosso pastor e nada nos faltará). Compramos o pacote de programas da Adobe (para editarmos os vídeos no Premiere), as câmeras, computadores e materiais de áudio. Tendo esses equipamentos e softwares, fomos para a prática.

Passo 4: Projeto piloto no Uruguai

Ainda aos trancos e barrancos, sem saber utilizar nem o foco da câmera, pegamos o carro que ainda tínhamos na época e partimos em uma road trip para o Uruguai. Decidimos produzir alguns vídeos como “piloto”, entrevistando pessoas e tentando voltar com algum material para editar em Porto Alegre. Foram 15 dias errando muito. Fazendo entrevistas boas, mas com imagens horríveis. E entrevistas péssimas, com imagens lindas. Essa experiência nos permitiu olhar para o material que queríamos construir e, graças a esse conteúdo, pudemos testar o projeto que lançaríamos alguns meses depois.

Lucas filmando o carnaval do Uruguai

Lucas filmando o carnaval do Uruguai

 

Passo 5: Desenvolver nome, identidade visual, vinheta e blog

Depois de finalizada a edição do nosso projeto piloto, já conseguíamos ter uma noção de para onde estávamos indo. Assim, ficou muito mais fácil pensar em um nome, um conceito, uma cara para o Mundo à Volta. Aproveitamos todos os contatos que tínhamos no meio da publicidade e comunicação e contratamos amigos e conhecidos para desenvolver conosco a parte visual do projeto – identidade, vinheta e layout do blog.

Passo 6: Dar a notícia para a família

Quando o Mundo à Volta já tinha uma carinha e nós começamos a planejar uma data para pegar a estrada, chegou a hora de comunicar as nossas famílias. Conversamos com eles 5 meses antes de embarcar para Córdoba, nosso primeiro destino. Nos preparamos muito para essa conversa. Lemos muito sobre nomadismo digital e trouxemos motivos fortes para a nossa insatisfação com a vida que estávamos levando. Ter se preparado ajudou para que a reação deles fosse melhor do que imaginávamos e, hoje, ainda contamos com a sua torcida incondicional pelo nosso sucesso.

Passo 7: Definir uma data

Parece meio besta, mas não é. Se você vai viajar, comprar uma passagem, definir um prazo, ter uma data de saída é um passo fundamental para que você trabalhe mirando um horizonte. Ter uma meta tornou tudo ainda mais palpável para nós. É como se você estivesse marcando a data do seu renascimento e as pessoas ao seu redor também começam a viver essa “gestação” com você.

Passo 8: Trabalho de formiguinha

E aí você já fez tudo isso, pensa que o pior já passou, e vem a vida dizer que a sua jornada está só começando. Quando lançamos o nosso projeto, estávamos tão ansiosos para que as pessoas começassem a ver o nosso trabalho, tão apressados, que acabamos colocando muita tensão no que fazíamos. Esse passo, na verdade, é um aprendizado já dos primeiros meses de estrada. Não adianta ter pressa, adianta substituir a pressa por consistência. Produza, produza, produza. Erre e conserte os seus erros. Experimente o tempo inteiro e, aos poucos, você vai ver o seu trabalho de formiguinha trazendo algum resultado. Seja no seu projeto ou na sua nova vida como freelancer.

Lembra lá no passo 1 quando eu disse que as suas economias podem ajudar a segurar as pontas enquanto o seu projeto não começa a trazer grana? Essa é a hora de ter MUITA paciência e pensar: estou levando uma vida que ninguém gostaria de ter, para construir o resto da vida dos sonhos de todo mundo.

Gostou desse post ou ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário ou entre em contato com a gente pelo contato@mundoavolta.com.

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