Chile Valparaíso

Conhecendo Valparaíso através do turismo comunitário

Eu e a Gabi fazemos de tudo para evitar agências de viagem. Isso porque, geralmente, fechar um pacote turístico significa pagar mais caro e viver uma experiência impessoal. É aquela história de chegar nas atrações turísticas em uma van branca e descer dela com outras 15 pessoas, passar 15 minutinhos no lugar e ter que ir embora correndo para a próxima parada. Longe disso, a gente prefere bater perna pelas cidades até encontrar as pessoas e os lugares mais autênticos possíveis, que realmente representam a cultura e os costumes daquele cantinho do mundo. E foi justamente por buscar viagens mais genuínas que encontramos a Travolution. Uma agência completamente fora dos padrões engessados e superficiais que a gente conhece. Através dela, conhecemos Valparaíso de uma maneira mais profunda e bem como estamos acostumados: pelo ponto-de-vista dos moradores locais. Além disso, nosso destino não foi o popular Cerro Bella Vista, aonde a maioria dos turistas acaba indo por causa da La Sebastiana, a casa do Pablo Neruda. Nós fomos para uma região mais pobre e menos visitada da cidade, mas aonde a história de Valparaíso começou: o Cerro Santo Domingo.

Vista do Cerro Santo Domingo, Valparaíso

Vista do Cerro Santo Domingo, Valparaíso

 

Casa horripilante que surgiu no meio do passeio

Casa horripilante que surgiu no meio do passeio

 

Uma experiência diferente desde o começo, quando em vez de fazer o trajeto Santiago-Valparaíso em uma van lotada de gringos, fomos caminhando do ponto de encontro do passeio até o metrô mais próximo. Apenas eu, a Gabi, um guia da Travolution e um casal muito simpático de ingleses. Juntos, fomos conversando sobre as nossas viagens pela Argentina e Chile, ao som de um músico que tocava boleros para fazer uma graninha entre uma estação e outra. Isso até chegarmos ao local aonde pegaríamos o ônibus e partiríamos para a famosa cidade portuária, tudo como se fôssemos santiagueños indo passar o fim de semana fora. Uma hora e meia depois estávamos em Valpo, como a cidade é carinhosamente chamada pelos chilenos. Fazer tudo com transportes públicos tem um lado interessante em Valparaíso: lá você pode pegar bondinhos super antigos que ainda circulam pelas ruas.

– ASSISTA ao vídeo sobre Valparaíso. –

As vantagens de um guia local e poeta

Chegando lá, fomos nos encontrar com as pessoas que nos mostrariam a cidade, que fazem parte de uma iniciativa muito legal: a Ecomapu Travel. Uma agência parceira da Travolution, que começou a desenvolver um trabalho de inclusão social muito importante no Cerro Santo Domingo, transformando alguns dos seus moradores em guias turísticos. Pessoas comuns, que viveram no lugar a vida toda, e agora têm a oportunidade de mostrar a sua terra para viajantes do mundo inteiro. E pela experiência que a gente teve, os guias são escolhidos a dedo, porque o nosso era inclusive um poeta da região. Um amante de cada subida, descida e esquina desse cerro. É tudo que a gente poderia pedir para produzir o nosso vídeo sobre a cidade, que você pode ver embaixo desse post. Se normalmente precisamos ir atrás de pessoas para entrevistar, dessa vez as agências comunitárias nos pouparam desse trabalho e nos levaram diretamente até os embaixadores da cultura, como gostamos de chamar. O Máximo falou uma frase mais linda que a outra e as filmagens ficaram de arrepiar.

Máximo, o nosso guia e poeta local de Valparaíso

Máximo, o nosso guia e poeta local de Valparaíso

Fazer esse passeio com ele fez realmente toda a diferença. Nós saímos caminhando pelo morro, com toda a calma do mundo, e o nosso amigo poeta tinha histórias pra cada rua que a gente dobrava. Mostrou as casas onde morou, os colégios onde estudou e contou diversas lembranças da sua infância, recheando cada cantinho do morro de significado, de alma. Nem vou gastar o seu tempo descrevendo tudo, porque as histórias mais interessantes estão registradas no vídeo. Mas, o bacana é que a cada explicação dele a gente se sentia mais parte daquele lugar.

Almoço na casa da Chinita

Um dos pontos altos do passeio foi o almoço, na casa de uma moradora do Cerro Santo Domingo. Pra mim e para Gabi, não existe nada melhor para se sentir acolhido em um lugar do que ser recebido na casa de um local. Era apenas mais um almoço na vida da Chinita, como é conhecida, com a diferença de ter a companhia de dois brasileiros e dois ingleses, mesclando inglês, espanhol e muita cordialidade. Uma recepção simples e singela, numa casa como qualquer outra daquele bairro, mas que tinha uma vista impressionante de Valparaíso. Com o seu jeito amável e um visível orgulho de receber pessoas de diferentes países na sua casa, em uma ruela de difícil acesso no morro mais antigo da cidade, a China fez cada turista se sentir um amigo que apareceu para almoçar.

O bacana dessas iniciativas comunitárias é ver a paixão que esses moradores têm pelo lugar onde vivem. Tão grande, que transborda em cada gesto deles durante o passeio. E o melhor de tudo é pensar que aquela economia e cultura se fortalece a cada tour. Segundo os guias, uma experiência bem diferente de outros pacotes que as agências vendem. Por ser uma região mais pobre da cidade e não ter tanta estrutura, muitas empresas consideram o lugar perigoso e só passam pelo morro dentro de uma van. Ou seja, os turistas não apenas deixam de interagir com os locais e consumir uma prato de comida que seja, mas simplesmente não tem contato algum com o lugar. A não ser, no máximo, pela lente das suas câmeras. É uma maneira parasita de conhecer o lugar, que não o fortalece financeiramente nem culturalmente. Só se alimenta das lindas vistas que o Cerro Santo Domingo oferece para o mar e a cidade. E a gente garante: esse lugar não é perigoso de dia, ainda mais acompanhado por guias locais.

Vista da casa da Chinita, no Cerro Santo Domingo

Vista da casa da Chinita, no Cerro Santo Domingo

Para finalizar, Valparaíso vista do mar

Você pode fazer todo esse passeio por conta própria, entrando em contato direto com a Ecomapu Travel e fazendo os tours grátis que eles oferecem (esse mesmo que a gente). Mas, se você for pelo pacote da Travolution, tem direito a um passeio de barco pela orla de Valparaíso. É hora de olhar a cidade por um ângulo oposto, enxergando os seus morros de dentro d’água. Um dos pontos altos dessa volta foi avistar leões marinhos muito, mas muito de perto. Pra quem gosta de navios de guerra, principalmente se estiver com criança, diversas embarcações da marinha chilena ficam atracadas por lá. São grandes navios da mais alta tecnologia, prontos para proteger as costas do Chile.

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Leões marinhos tomando banho de sol

Como ir para Valparaíso

POR CONTA PRÓPRIA: Pegue um metrô pela Linea 1 até a estação Pajaritos, depois pegue um ônibus até Valparaíso. Chegando lá, pegue um ônibus de linha ou um bondinho até o Cerro Santo Domingo. Pra fazer o tour grátis pelas ruas do morro, é só entrar em contato com a Ecomapu Travel.

COM A TRAVOLUTION: Pra fazer o passeio completo como a gente, com almoço na casa de um local e volta de barco pela orla, entre no site dessa agência de turismo comunitário e saiba mais detalhes.

Ficou com alguma dúvida ou tem alguma sugestão? Deixe seu comentário ou entre em contato com a gente pelo e-mail contato@mundoavolta.com.

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2 Comentários

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    José Lain
    1 de fevereiro de 2017 em 15:26

    Boas dicas…vou viajar muito ano que vem….obrigado! Blog Sensacional!

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