Argentina Mendoza

Mendoza: das vinícolas sofisticadas à produção artesanal

Mendoza conta com o impressionante número de 1.200 bodegas em todo o seu território. Com tantas opções, você já deve imaginar que não é fácil escolher quais visitar quando estiver na terra do Malbec. A menos que você seja um grande apreciador e já tenha o seu roteiro de degustação na ponta da língua – literalmente.

Esse não era o nosso caso, já que nunca soubemos diferenciar Cabernet Sauvignon de Pinot Noir, ou Merlot de Carmenére. Sempre gostamos de tomar vinho, mas nunca fomos muito entendidos do assunto. Por isso, mesmo sabendo que muitas das vinícolas mais famosas do mundo têm vinhedos na região, quando fomos pra lá não sabíamos por onde começar. Pesquisando um pouco, decidimos visitar três bodegas naturalmente argentinas e com estilos bem diferentes para recomendar aqui. Esperamos que vocês aproveitem as nossas dicas.

Todas as opções estão nas cidades nos arredores da capital, mas são super acessíveis para chegar em transporte público. Se organize sempre para sair do centro de Mendoza pela manhã e passar o dia fora. Recomendamos que você agende as visitas com antecedência, deixando uma bodega para o turno da manhã e outra para a tarde. Anota aí:

Maipú

É um município que está a apenas 15km do centro de Mendoza e você pode chegar tomando um ônibus de linha na terminal. Quando desembarcam em Maipú, muitos turistas optam por alugar bicicletas para percorrer o circuito, pagando em torno de 100 pesos pela diária (R$40). Se você estiver em um hostel que tenha parceria com algum aluguel de bike, já pode até chegar lá com todo o esquema armado. As principais bodegas para visitar em Maipú são: López, Tempus Alba, Domiciano, Mevi, Trapiche, Família Zuccardi e La Rural. O pessoal do blog 360 meridianos visitou também a Vistandes e a Cavas Dom Arturo, e dão ótimas dicas (relato do 360 Meridianos).

Em Maipú, nós buscamos conhecer duas bodegas menores, a Domiciano e a Viña El Cerno.

A Domiciano de Barrancas faz parte da categoria de bodegas “boutique”, por ter uma produção menor e direcionada para o mercado externo. No local aonde eles recebem os visitantes, há apenas uma pequena parte de todos os vinhedos. Mas já é o suficiente para curtir o lugar e a vista.

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Bodega Domiciano de Barrancas

 

Degustação na Domiciano de Barrancas

Degustação na Domiciano de Barrancas

 

A Viña El Cerno foi um achado pra nós. A bodega existe há 18 anos e é um sonho realizado pelo enólogo Pedro, que há mais de 40 anos trabalhava para outras empresas da região. Quando finalmente conseguiu comprar as terras e abrir a sua própria produção, fez questão de manter um estilo familiar e artesanal, tanto no sistema de fabricação quanto no atendimento ao público. Ele e sua filha atendem aos turistas, explicam o processo de fabricação e apresentam os vinhos para degustação.

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Pedro, enólogo e proprietário da Viña el Cerno

 

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As boas-vindas da Viña El Cerno

 

As visitas com degustação em cada bodega custam a partir de 50 pesos (R$20) e algumas possuem restaurante, caso você queira almoçar por lá.

Outra opção em Maipú é fazer a “ruta del olivo”, para conhecer produções de azeite de oliva. Nós não fizemos esse passeio e ficamos na vontade.

Luján de Cuyo

Outra cidade da “Grande Mendoza” que faz parte da rota dos vinhos, Luján está colado a Maipú e a 19km da capital. O mais recomendado é visitar as bodegas dos dois municípios no mesmo dia, em função da proximidade. Porém,  tome cuidado para não passar do ponto nas degustações. É preciso ter “fôlego” para visitar duas vinícolas por dia.

As mais conhecidas de Luján são: Norton, Lagarde, Catena Zapata e Chandon. Nós não entramos em nenhuma delas, apenas passamos pela Chandon quando fizemos um tour ao Valle de Uco. O pessoal do blog Meus Roteiros de Viagem visitou a Pulenta Estate, a Chandon e a Norton, e contam um pouco aqui nesse post.

Valle de Uco

Esse é um passeio recente dentro do circuito do vinho em Mendoza. Algumas agências estão começando a oferecer tours para o vale pelas belezas de cidades como Tupungato e Tunuyán. Lá, as bodegas tem seus vinhedos ainda mais próximos do “Cordón de Plata“, os montes nevados da cordilheira frontal.

Apesar de estar a 100km de distância da capital, é possível ir a Tupungato e Tunuyán também tomando ônibus intermunicipais na terminal. A passagem custa em torno de 40 pesos o trecho (R$ 16), mas para se deslocar de uma bodega a outra nos municípios você terá que tomar ônibus de linha na rodovia.

Em função da praticidade, muitas pessoas acabam optando por fazer o passeio ao Valle de Uco com agências. Outro benefício de contratar um tour são as demais paradas que ele oferece, como a subida para um mirador com vista para todo o vale e a visita ao Manzano Histórico – marco das conquistas do General San Martín, herói argentino.

Os passeios das agências saem de Mendoza às 7h da manhã e retornam às 16h. Uma das primeiras empresas que começou a oferecer o circuito é a Cata Turismo, com quem nós fizemos o passeio – que custa 560 pesos por pessoa (R$225). Nós não demos muita sorte com o clima, mas pela foto já dá para ter uma ideia que o trajeto ao Valle de Uco vai em direção ao pé da cordilheira. Ou seja, com um dia mais limpo você poderá ter uma vista privilegiada do Cordón de Plata.

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Vista do mirador do Cristo

 

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Paradinha do Manzano Histórico, em Tunuyán

 

Em Tupungato e Tunuyán estão vinícolas internacionalmente conhecidas, como a Clos de los 7, Rolland, Domaine Bousquet, Atamisque, Andeluna Cellars e Salentein. E também outras menores e naturais da Argentina, como La Azul e Giaquinta.

Com o objetivo de conhecer uma bodega maior, visitamos a Andeluna, que já foi de um grupo estrangeiro e agora pertence a uma família do país. Lá a visita parte de 80 pesos (em torno de R$30) e o restaurante também oferece menu degustação e aulas de culinária. Em determinadas épocas do ano, os turistas também podem fazer piqueniques ao ar livre. Vendo as fotos já dá vontade de pegar uma taça de vinho e sair andando no meio dos vinhedos, né?! É exatamente isso que os visitantes fazem.

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Andeluna Cellars, em Tupungato

 

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Sala de degustação com vista para os vinhedos da Andeluna – Tupungato

 

Onde ficar em Mendoza

Mesmo que os atrativos do vinho estejam nos arredores da cidade, ficar no centro da capital ainda parece a melhor opção, na nossa opinião. Além do preço e da maior oferta de hospedagem, lá você também pode curtir os parques e restaurantes da cidade. Nós ficamos hospedados no hostel Parque Central, e pudemos fazer praticamente tudo a pé ou a poucos minutos de caminhada de qualquer parada de ônibus.

Adora vinhos? Confira também o nosso post sobre as vinícolas de Cafayate, no norte argentino.

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